Tenho observado o crescimento do número de pessoas que se dizem de direita após os inúmeros escândalos do governo petista. Está na moda criticar o comunismo sem nem ao menos ter lido sobre o assunto. O grande problema é que a maioria das pessoas que fazem estas críticas apresentam um comportamento tipicamente revolucionário.

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Começarei esclarecendo um ponto, que ao meu ver, é essencial: ser contra o PT não é sinônimo de ser um conservador. Os conservadores são pessoas que valorizam a família, a moral e os bons costumes, queremos manter as tradições que nos fazem ser a civilização que somos hoje mesmo tendo consciência de que ela não é perfeita. Quem quer mudar o mundo e transformar a sociedade não pode se dizer conservador, pois este é o comportamento que caracteriza a esquerda revolucionária. Também não podemos concordar com aquela máxima de que cada um pode fazer o que quiser, desde que não interfira na vida dos outros, porque, nós conservadores, sabemos que por viver em sociedade somos sim afetados pelas atitudes de nossos compatriotas. Basicamente a direita conservadora tem consciência da imperfeição de nossa sociedade e da impossibilidade de torná-la perfeita, principalmente através de mudanças no tecido social em vez de mudanças individuais, e quer uma liberdade que seja sustentável, o que é bem diferente de ser livre para fazer tudo o que “der na telha”.

Acredito que com esta breve introdução o leitor já consiga compreender que muitos formadores de opinião que encontramos por aí não são conservadores e sim antipestistas, o que é totalmente diferente. O antipetista é contra o socialismo do PT, mas acredita que podemos ter uma sociedade perfeita, a qual será conquistada através de ações do Estado interferindo na vida do cidadão. Também temos a turma do libera geral, eles são contra o socialismo porque já perceberam que o Estado não irá interferir de uma maneira tão benéfica assim como parece na teoria, mas ainda não conseguiram entender que em uma sociedade em que tudo é permitido o caos também virá como um resultado inexorável. Estou falando daqueles jovens que apareceram para lutar contra o socialismo com discursos inflamados e por outro lado defendem pautas como aborto e liberação das drogas por exemplo. Cada um desses grupos daria um artigo inteiro de análise, porém hoje quero me deter a analisar o comportamento dos que concordam com a pauta conservadora, grupo no qual eu me incluo.

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Tenho notado nas redes sociais uma verdadeira idolatria a certos pensadores e políticos do movimento, embora eu concorde com muitas de suas ideias, fico horrorizada ao ver a reação das pessoas que os seguem. Para esses seguidores devemos comprar o pacote de ideias fechado e não podemos discordar nenhum milímetro sequer do que disse o guru, é uma verdadeira ditadura de pensamento com direito a ataques e xingamentos ao melhor estilo petista de ser. O grande problema é que a natureza do conservador é a de uma pessoa que gosta de pensar com o próprio cérebro, ele pode até concordar com um determinado pensador, porém raramente irá aceitar tudo tim-tim por tim-tim do que ele disser. Isso não quer dizer que estamos invalidando todo o seu discurso, quer dizer apenas que temos uma grande afinidade de pensamento e alguns pontos de divergência.

O problema é que quando alguém assume publicamente que discordou de alguma ideia do grande mestre acontece um fenômeno muito peculiar, automaticamente brotam palavrões e ofensas na sua timeline e, não raro, são os casos em que também há uma exclusão por parte dos seguidores fanáticos. Qualquer semelhança com a esquerda não é mera coincidência! Eu fico extremamente perturbada com a total incapacidade argumentativa de tais pessoas, eles acham que palavrão resolve qualquer discussão e faz de você um ser superior que não precisa expor suas ideias porque elas são tão perfeitas que não precisam de defesa. Já estou até vendo o leitor neste ponto pensando: qual é o problema do palavrão? Nenhum… o problema é achar que ele é um bom argumento quando se tem como interlocutor um ser pensante. Um debate não é feito por pessoas que pensam da mesma maneira, e sim por pessoas que têm ideias divergentes, a partir do debate podemos tirar conclusões que já mais conseguiríamos ver caso elas não fossem confrontadas. Notem que eu estou falando aqui de uma conversa entre dois conservadores e não entre um conservador e uma militante feminista por exemplo…

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Esse fenômeno da direita modinha também fez surgir pessoas que são conservadoras nas ideias e revolucionárias nas atitudes. Quem aqui nunca viu alguma foto de uma menina com metade dos peitos de fora, fazendo biquinho, com um lordose galopante e a legenda #Bolsonaro2018? Ou então aquele homem que defende as ideias de Burke e Scruton, mas tem seu perfil recheado de fotos das tais meninas lordótica e ainda fica pedindo pra mandar “nudes” no Whats? Será mesmo que sou só eu a ver a gigantesca incoerência dessas criaturas? Eu entendo perfeitamente que somos humanos, imperfeitos e pecadores, mas também entendo que é justamente a consciência de nossas imperfeições e a luta contra nossa natureza que nos torna pessoas melhores e civilizadas. Claro que todos nós cometemos erros! O problema é que alguns andam abusando do direito de errar com muita ênfase.

No fim das contas tudo volta a ser com dantes no quartel de Abrantes… O petismo saiu do poder, mas não saiu das pessoas. Infelizmente o estrago foi muito grande e já nem notam mais que seu comportamento é inadequado porque todos a sua volta agem assim, ainda não perceberam que todos a sua volta estão intoxicados pelo Marxismo Cultural de maneira severa. De nada adianta criticar uma postura, atitude ou ideologia se usamos exatamente o mesmo princípio para nos pautar. E a criatividade brasileira acaba de nos brindar com mais uma categoria ideológica: o petismo de direita.