O post de hoje é o primeiro que traz uma resenha de livro para o blog e a estréia será em gande estilo, pois trago um livro de extrema importância para todos que querem compreender o que se passa em nosso país. O livro escolhido para iniciar 2017 foi Ponerologia: psicopatas no poder de Andrew Lobaczewski, publicado no Brasil pela editora Vide Editorial. O exemplar que eu li foi a 1ª edição de 2014 que traz o prefácio escrito por Olavo de Carvalho e tem 298 páginas.

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     O autor do livro, Andrew Lobaczewiski, viveu na Polônia em pleno regime comunista da antiga União Soviética e pode ver muito de perto todo o horror que este tipo de regime totalitário pode trazer a população. O título Ponerologia, vem do grego poneros = mal e logia = estudo de, e deixa muito claro o que veremos ao longo da leitura, que é um estudo detalhado dos fatores que desencadeiam regimes totalitários como o de Stálin na URSS e Hitler na Alemanha.

     No prefácio o autor já prende a atenção do leitor ao contar como foi sua epopeia até conseguir a publicação de sua obra. Lobaczewiski teve que escrever o livro três vezes devido às circunstâncias adversas que enfrentava. Na primeira vez que conseguiu concluir a obra teve que jogá-la na lareira para preservar sua vida, pois tinha sido advertido de que a guarda de Stálin estava a caminho de sua casa para fazer buscas atrás do livro. Consciente da importância do seu estudo novamente o escreveu e entregou a cópia nas mãos de um turista que iria para o vaticano na esperança de que fosse entregue ao papa, nunca mais teve notícias desta cópia. Somente na terceira tentativa, quando foi deportado para os Estados Unidos, finalmente conseguiu publicar o livro que hoje chegou às nossas mãos.

     Andrew Lobaczewiski estudou psicologia na Universidade Jagiellonian, em Cracóvia, e conduziu a pesquisa que deu origem ao livro junto com seus colegas que trabalhavam em hospitais psiquiátricos, todos eles foram presos ou exterminados, restando somente o autor com a incumbência de publicar os resultados desta tão importante pesquisa. Infelizmente muitos dados foram perdidos, mas o que vemos no livro já nos dá uma boa percepção do quadro que leva sociedades inteiras a caírem em desgraça ao levarem ao poder verdadeiros psicopatas.

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     O livro está divido em 10 partes, sendo a primeira a introdução sobre a qual eu já fiz os comentários. No segundo capítulo vemos alguns conceitos indispensáveis mais técnicos sobre psicologia para que o leitor, mesmo sendo leigo, possa compreender o restante do livro. Uma informação muito relevante que ele nos mostra aqui é que, nestes regimes, a psicologia é a primeira ciência a ser podada, uma vez que os líderes dos governos poneros têm plena consciência de que são diferentes da maioria da população e que um estudo detalhado de seu comportamento psicológico iria evidenciar sua patologia.

     Os princípios da psicologia e os termos técnicos são apresentados de uma maneira bem simplificada e tornam a leitura muito instrutiva e ao mesmo tempo instigante. É importante também salientar aqui a importância que exerce a formação do ser humano nos primeiros anos de vida tanto em casa quanto na escola. Felizmente também descobrimos, durante a leitura, que o percentual de pessoas que são afetadas por esta patologia é mínimo, algo em torno de 3% a 6% da população.

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     O ciclo da histeria é detalhado no terceiro capítulo do livro e começa nos alertando que os tempos de paz são especialmente perigosos, pois as pessoas costumam afrouxar seus preceitos morais e desta forma abrem caminho para que ditadores consigam chegar ao poder e iniciar seu governo de terror.

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     No quarto capítulo vemos especificamente como se dá o processo de gênese do mal: a ponerologia. Aqui sim visualizamos a aplicação de todos os termos técnicos que foram apresentados no início do livro. Para os que não estão acostumados com leituras técnicas esta parte pode ficar um pouco mais cansativa, mas nada que impossibilite a leitura e o entendimento do texto. São apresentadas diversas patologias psicológicas, seus sintomas no paciente e também as consequências da convivência que pessoas normais podem sofrer pelo convívio com a doença sem o devido diagnóstico. O livro nos revela tanto o efeito das patologias nos indivíduos quanto nas sociedades.

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     O capítulo V, que fala sobre a patocracia, irá trazer aos leitores brasileiros a sensação de que o autor já morou por aqui nos tempos do governo petista, pois ele descreve muito bem a situação de nosso país. Lobaczewiski nos mostra que na verdade os psicopatas sabem que são diferentes da maioria da população e vêem o mundo como um ambiente hostil que precisa ser transformado para atender às suas vontades, dessa maneira as pessoas normais vão sendo cada vez mais reprimidas, o problema é que muitas pessoas que não apresentam nenhuma patologia acabam caindo na histeria provocada por eles e se deixando levar por suas ideias doentias.

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     Também fala sobre a importância que a linguagem tem e como ela é modificada nas patocracias, quando adotamos a terminologia que foi instituída por este regime ficamos reféns de suas ideias pois não temos nem como nomeá-las para compreendermos o que de fato está ocorrendo.

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     As consequências sofridas por pessoas normais que vivem sob o domínio patocrático são analisadas no sexto capítulo que nos revela que uma pessoa normal nunca irá conseguir se adaptar completamente a esse sistema. Aqui o autor nos traz uma informação muito importante e que quebra o discurso vigente sobre psicopatas, que são tidos como pessoas com inteligência superior, mas na verdade apresentam um tipo deficiência. O que acontece é que eles têm um grande poder de influência e por isso muitas pessoas confundem essa influência com inteligência.

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     A censura da psicologia e da psiquiatria é pormenorizada no capítulo VII e, no capítulo VIII, vemos com mais detalhes a relação entre patocracia e religião e por que os governos totalitários retiram a liberdade religiosa dos cidadãos. Em alguns casos as práticas religiosas são totalmente proibidas, em outros elas são remodeladas, assumindo assim, também, um caráter patocrático e distorcido.

     Nos capítulos IX e X são analisadas as possíveis maneiras de se evitar que estes regimes possam ganhar força e também a necessidade de se dar continuidade aos estudos que foram apenas iniciados com a obra.

     A leitura é realmente muito boa e informativa, daquelas que mudam sua visão de mundo após o término. Com este livro consegui compreender melhor o caráter patológico dos regimes totalitários e vislumbrar uma possível solução que passa, obviamente, por muito estudo e disseminação de informações. Recomendo este livro a todos que queriam compreender melhor o quadro atual de nosso país e que desejem, de alguma forma, ajudar a nação a sair desse caos em que estamos mergulhados.

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Editora: Vide Editorial
ISBN: 9788567394145
Páginas: 298
Minha avaliação:★★★★★