O livro Em Defesa do Preconceito já começa a ser politicamente incorreto pelo seu título, seu enfoque está na defesa de termos ideias preestabelecidas para pautar nossa vida. Theodore Dalrymple é um pseudônimo usado pelo médico psiquiatra Antony Daniels para escrever seus livros. Nascido em 1949, em Londres, o autor utiliza sua experiência no consultório para dissertar sobre diversos assuntos da atualidade com uma linguagem muito acessível ao público em geral e pensamento profundo.

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     Já no início o livro apresenta uma definição da palavra preconceito, pois hoje em dia esse termo tem uma conotação muito restrita e diferente do seu significado original. Quando vemos a palavra preconceito a associação que geralmente fazemos é de preconceito racial, sexismo, homofobia e todas essas pautas que a esquerda adora alardear, porém o significado original da palavra é referente a formação de conceitos preestabelecidos sobre determinadas coisas, situações e até mesmo pessoas. Também é necessário falar aqui que preconceito não necessariamente é algo pejorativo afinal de contas podemos o conceito formado de maneira prévia pode tanto ser bom quanto ruim. Vejamos um exemplo, eu posso ter preconceito de que as loiras sejam mulheres assanhadas, ou ao contrário, ter um preconceito de que loiras sejam mulheres recatadas.

     A nossa sociedade valoriza muito o tal “espírito crítico”, ele está presente a todo momento na televisão, nos jornais, nas escolas, etc. Dalrymple ao falar sobre esse assunto demonstra através de uma argumentação muito lógica que a tal cultura crítica não passa, na verdade, de uma maneira “acadêmica” de justificar suas preferência pessoais.

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     Também vemos a importância da história em nossa formação e como devemos embasar nossas práticas nas lições que nossos antepassados nos deixaram sob pena de termos que cometer os mesmos erros e também passar pelos mesmos infortúnios que eles tiveram que passar. O caso é que muitas vezes a história é manipulada de maneira a apagar certos episódios para que certas ideologias possam propagar suas falácias.

     Há um capítulo em que o autor fala sobre a pedagogia no cenário atual em relação ao passado e da autonomia que as crianças recebem (qualquer semelhança com a pedagogia da autonomia não é mera coincidência) cada vez mais cedo para tomarem decisões para as quais ainda não estão preparadas. Infelizmente hoje, quando as pessoas escutam que o papel da escola é de tirar das crianças os preconceitos que trazem de casa acabam concordando sem nem ao menos refletir sobre o que realmente isso pode significar.

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     Quando alguém fala em derrubar preconceitos é geralmente visto como alguém que é totalmente livre dos mesmos devido ao tom pejorativo que a palavra assumiu. O que quase ninguém pensa é nos desdobramentos que a essa atitude traz consigo. Quando, por exemplo, derrubamos o preconceito de que pessoas pobres sejam sujas acabamos, consequentemente, assumindo o preconceito de que pessoas pobres sejam limpas.

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     Durante a leitura percebemos que é necessário que tenhamos incutidos em nossa mente os preconceitos certos, uma vez que é impossível que uma pessoa seja totalmente livre deles. Outro aspecto importante abordado é que nem todas as informações devem ser questionadas, pois se assim fosse teríamos que gastar um tempo enorme para provar todos os conceitos que já estão disponíveis em nossa sociedade. Imaginem questionar por exemplo a lei da gravidade, cada um de nós teria que percorrer todo o caminho que Newton percorreu para chegarmos as mesmas conclusões que ele, o que seria um enorme desperdício de tempo, pois nós já temos essa informação disponível para usufruirmos dela. Como diz Dalrymple:

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     O autor nos mostra a importância de preconceitos em determinadas situações como por exemplo nos relacionamentos amorosos. Vemos muitas mulheres que acabam embarcando em relacionamentos violentos justamente por não darem ouvidos aos seus preconceitos, pois geralmente os agressores trazem um histórico de violência.

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     Dividido em pequenos capítulos, Em Defesa do Preconceito, é um livro de fácil leitura e que nos faz refletir de uma forma muito profunda acerca de variados temas, tendo como ponto central a necessidade de termos ideias preconcebidas para levar uma vida saudável. O autor é extremamente inteligente e bem-humorado e sua experiência na área psiquiátrica torna o conteúdo ainda mais bem embasado. Recomendo a todos que desejam uma leitura agradável e instrutiva ao mesmo tempo.

Editora: É Realizações
ISBN: 9788580332155
Gênero: Sociologia / Ensaios / Literatura Estrangeira / Não-ficção
Páginas: 144
Minha avaliação:★★★★

 

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