O SOBRINHO DO MAGO

     Hoje a resenha é sobre um livro que foi escrito para o público infantil, porém traz algumas reflexões muito pertinentes sobre o cristianismo. Escritas por C. S. Lewis as Crônicas de Nárnia são um conjunto composto por 7 livros e nesta resenha irei falar sobre o livro que conta a origem da série, embora não tenha sido o primeiro a ser escrito: O Sobrinho do Mago.

O autor do livro é muito conhecido por suas obras no campo da apologética cristã e em As Crônicas de Nárnia vemos estórias que passam algumas lições do cristianismo de uma forma lúdica para que qualquer criança possa compreender. Escrito em uma linguagem muito simples o livro estimula a imaginação ao mesmo tempo que reforça alguns dogmas do cristianismo.

Neste livro ficamos conhecendo a origem de Nárnia, um universo paralelo para onde os personagens viajam e se deparam com personagens e situações fantásticas. Os personagens principais são Digory que é o sobrinho do mago, Polly sua vizinha, tio André ou o mago, a feiticeira e claro Aslam o leão.

A estória se passa em Londres e tudo começas quando Digory e Polly resolvem se aventurar pelo telhado das casas e acabam caindo por engano justamente no laboratório do tio André, um senhor bem esquisitão que tem péssima fama na vizinhança por suas esquisitices. Ao se depararem com o tio excêntrico as crianças ficam muito assustadas mas não têm mais como escapar.

     É neste momento que tio André, o mago, usa de sua astúcia para enviar as crianças para um universo paralelo que ele sabia que existia, mas não tinha coragem de se aventurar indo para lá porque não tinha certeza de que o modo que ele havia planejado para voltar daria certo.

Não darei mais muitos spoillers contando a estória, irei me deter a análise dela sob o prisma do cristianismo. Aqui vemos uma clara alusão ao livro de Gênesis quando Aslam cria Nárnia.

“O leão andava de um lado para o outro na terra nua, cantando a nova canção. Era mais suave e ritmada do que a canção com a qual convocara as estrelas e o sol; uma canção doce, sussurrante. À medida que caminhava e cantava, o vale ia ficando verde capim. O capim se espalhava desde onde estava o Leão, como uma força, e subia pelas encostas dos pequenos montes como uma onda. Em poucos minutos deslizava pelas vertentes mais baixas das montanhas distantes, suavizando cada vez mais aquele mundo novo. Podia-se ouvir a brisa encrespando a relva.”

p.59

Vou fazer apenas uma ressalva desde que apareceu um livro do C. S. Lewis no meu cenário eu recebi algumas mensagens dizendo que o conteúdo dos livros deste autor era satanista, porém eu fiz a leitura de mais de uma de suas obras e pelo menos até agora eu não vi nada de satanista nelas, muito pelo contrário. Talvez tenham dito isto por trazerem personagens como os faunos ou feiticeiros, mas, pelo menos nesta primeira crônica, os personagens que são envolvidos com magia representam o mal e desta forma eu acredito que não estejam promovendo nenhum conteúdo satânico.

Acredito que muitos já assistiram ao filme, mas quem tem o hábito da leitura sabe que o livro é sempre melhor que o filme. Recomendo esta leitura principalmente para crianças e jovens e também acho que é uma maneira muito interessante de introduzir assuntos bíblicos para o público desta idade.