Nesta semana eu trago mais um clássico do autor George Orwell: A revolução dos bichos. Antes de falar propriamente sobre a fábula irei fazer um breve comentário sobre o autor, pois na resenha que fiz de uma outra obra sua, 1984, surgiram algumas dúvidas nos comentários. Apesar de seus livros fazerem uma crítica óbvia ao comunismo, o autor era sim um esquerdista daquele tipo que acham que deturparam Marx. Isso também comprova aquilo que eu já disse várias vezes nos meus vídeos: criticar o comunismo não é sinônimo de ser “de direita”…

Mas vamos ao conteúdo do livro, e já vou avisando que irei dar alguns spoilers, mas nada que estrague as surpresas do livro. Basicamente A revolução dos bichos é uma fábula em que os bichos fazem o papel de revolucionários, sendo os porcos os líderes da revolução, e os seres humanos fazem o papel do empresário capitalista que “apenas explora os trabalhadores”.

 

No início do livro o porco Major faz um discurso incitando os animais a se rebelarem contra a opressão sofrida, numa referência óbvia a Karl Marx. Após a morte de Major quem assume o comando revolucionário são os porcos Bola-de-Neve e Napoleão, representando Trotsky e Stalin respectivamente.

A revolta se dá no dia em que sr. Jones, o dono da fazenda, bebe demais e acaba pegando no sono antes de dar comida aos animais. Indignados com a situação e insuflados por Bola-de-Neve e Napoleão os animais arrebentaram a porta do celeiro e colocaram os humanos para fora da fazenda. No início os animais ficam muito felizes com seu feito e começam a se organizar, como os porcos são os únicos que sabem ler acabam tornando-se os líderes da fazenda.

É claro que a referência a escolha dos porcos para liderarem a fazenda não foi ocasional e também é obvio que os comunistas não gostaram nem um pouquinho deste livro e por isso ele foi proibido em vários países.

Após chegarem ao poder, os porcos, que antes apresentavam um discurso de proteger os animais trabalhadores, passam a demonstrar outro tipo de comportamento exatamente oposto ao que era propagado. As regras que haviam sido estipuladas vão sendo modificadas e transgredidas pelos líderes uma a uma. Ao longo do enredo também surgem os cachorros, uma analogia a polícia comunista, para fazer a proteção dos porcos, e desta maneira protege-los ao máximo do contato com os demais bichos da fazenda.

 

Outro detalhe interessante são os gritos de ordem que nos fazem lembrar muito alguns grupos que militam hoje em dia.

“Quatro pernas bom, duas pernas ruim”

Esse grito de guerra faz uma referência a luta de classes que hoje vemos nos movimentos feministas (mulher bom, homem ruim), GLBTs (gay bom, hetero ruim), movimento negros (negro bom, branco ruim), etc.

“Napoleão tem sempre razão”

Esse eu vou deixar o mistério no ar pra ver se alguém vai entender a referência…

Em uma das batalhas travadas entre humanos e animais pelo domínio da fazenda, Bola-de-Neve acaba “sumindo” e a partir deste momento tudo o que acontece na fazenda passa a ser creditado a ele, exatamente como fazem os países comunistas colocando a culpa de seus próprios erros em fatores externos.

Ao se aproximar do final da fábula os porcos vão fazendo alianças com os humanos e se tornando cada vez mais parecidos com eles, a cena final do livro deixa isto muito claro. O que nos revela a mentalidade do autor que acredita que os líderes comunistas estavam certos quando propuseram a revolta, mas no caminho acabaram cedendo e se tornando tão capitalistas quanto seus antecessores. O que não é verdade!!!! A impressão que eu tive após a leitura do livro é que Orwell criticou o capitalismo porque achava que haviam deturpado Marx. Pela leitura também podemos perceber que ele era Trotskista, o que apenas reforça o que eu falei no início da resenha: nem todos que criticam o comunismo são “de direta”.

Uma leitura agradável, divertida e que nos ensina muito sobre a verdadeira face dos regimes totalitários e de como pensam seus líderes. Indico a todas as pessoas que se interessam pelo assunto, tanto jovens, quanto adultos.

 

 

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